Sê a mulher que o teu ex vai sentir falta
Há algum
tempo atrás, recebi uma mensagem de um ex-namorado, que dizia: “vou passar o
resto da vida a perguntar-me porque é que não deu certo”. Eu tinha todas as
respostas, mas achei que já nem era mais hora de falar.
Depois de alguns anos de namoro, ele ficou em dúvida. Eu sofri com a dúvida
dele. Mas a dúvida dele acendeu um ponto de interrogação dentro de mim.
Terminei o namoro e não olhei para trás. Nunca olho. Sofro como um cão por um
amor que quero que dê certo, mas quando desisto, deixo de lado como meia lata
de cerveja quente. Tu sabes que era bom, mas jamais será novamente.
Nem vem ao caso se sou ou não uma namorada inesquecível, mas fiquei a
pensar o que faz uma mulher tornar-se assim tão singular para um homem. E nem
estou a falar de homens atormentados, daqueles que gostam de sofrer nas mãos de
mulheres malvadas, aquelas que gostam somente delas e nada além delas mesmas.
Homens deixam-se seduzir por criaturas assim. Bem, quem é que não deixa?
Mas, então, lembrei-me de um amigo que, depois de anos de solteirice e
libertinagem barata, começou a namorar. Desapareceu, sumiu, um dos maiores
festeiros e engatatões da noite que eu já conheci. “Ela não é a mulher que mais
amei, mas é a que me faz mais feliz. Vou casar”, disse-me.
Ela ama-me; ri das merdas que eu digo; não é linda, mas cuida-se; tem um
cheiro gostoso; cuida da vida dela; é independente, mas pede-me ajuda para usar
uma pendrive; está sempre ocupada, mas nunca deixa de atender quando eu ligo; é
companheira; aguenta os meus ataques de mau humor; é desinibida no sexo; é
ciumenta, mas eu até percebo e acho graça, porque eu já fui um mulherengo.
“Sabes como é, está fácil de encontrar mulheres hoje em dia, mas dessas que nos
fazem feliz mais do que uma semana… encontrei poucas.”
Penso muitas vezes no que faz uma história dar certo ou não. E, no fundo,
acho um disparate quando dizem que melhor do que ser amado, é amar. Não tem
nada melhor na vida do que sentir, ver, ouvir, ler, que alguém perde o seu
precioso tempo a pensar em nós, a querer-nos, a amar-nos.
Mas é verdade que amar alguém é uma arte. Quem ama põe-se a si próprio de
lado muitas vezes. Esquece convicções. Pede desculpas mesmo quando acha que
está certo. Sofre de saudade. Morre de ciúme. Sorri quando o telefone toca. Tem
dor de barriga quando o outro lê a mensagem no whatsapp – e não responde. Nós
ficamos praticamente ridículos.
Mas o outro, que também ama (e essa é a melhor parte), acha-nos a nós, que
no fundo somos ridículos, o último biscoito do pacote, a última cerveja gelada
do deserto, os últimos 5% de bateria no telemóvel.
Amor é isso.
O importante é que nós nunca fiquemos pela metade. Que nunca sejamos mais
ou menos. Que nós façamos tudo ao nosso alcance por amor. Que seja especial.
Que seja inesquecível. Sê o tipo de mulher, que os nossos ex-namorados vão
sempre lembrar e pensar: que pena que não deu certo.
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